A inocência das crianças e a indiferença das lideranças: nada justifica a morte

Julho termina. Agosto esfrega as mãos e tem dificuldades em controlar a saliva. O que será que conta fazer com as suas mãos este tal de Agosto? Derramar mais sangue de crianças apenas porque nasceram num contexto geográfico e político de guerra? Afinal nascer é mal-e-mau? Pode, pelo contrário, Agosto levantar as mãos num firme gesto de negação e término às inaceitáveis situações que foram ocorrendo nesta parte intermédia do MMXIV ano, em diferentes pontos do globo.

Será que, como Pilatos, Agosto vai simplesmente lavar as mãos perante a possibilidade de agir com justiça e responsabilização, optando antes por ignorar os aviões abatidos como se de tiro aos pratos estivéssemos a tratar. O que vai fazer em relação aos descendentes dos filisteus (agora chamados israelitas) que acham que as crianças da palestina são terroristas muito perigosos geneticamente programados para lançar rocket’s às suas crianças, pelo que devem preventivamente ser assassinadas como se de anátema se tratasse? Será que só as crianças dos judeus são paridas com dor e têm direito a um lugar sob este sol que nasce para todos? Que mundo estranho é este!

Claro que, na verdade, não é Julho nem Agosto quem age. O tempo e o espaço apenas são o palco deste desfile de insanidade colectiva, marcada por actos e decisões de pessoas que era suposto serem políticos e, como tal, necessariamente comprometidos com uma ética pro-vida e pro-dignidade. Mas não. Endireitam as gravatas e fazem pose perante as câmaras para reiterar a (i)racionalidade das suas decisões. Esses imperialistas do capitalismo-democrático que andam a dourar e impor ao mundo fazem inveja a Hitler, Musolini, Staline e outros tantos que agiram como se o Estado fosse mais importante que as pessoas. Os actos que eles julgam defensáveis fazem inveja à demência em si mesma, aos psicopatas mais assustadores e aos sociopatas mais abismantes.

Como não consigo falar com as importantes pessoas que têm praticado esses acto, talvez seja melhor falar mesmo com o mês, nem que corra o risco de ser tido por louco. Será que o mês me responde? Insisto: o que será que Agosto vai fazer com a saliva que vai brotando nas suas glândulas? Vai engolir milhões em guerra quando imensas multidões não têm a possibilidade de os dentes escovar pela simples razão de os não terem podido sujar há dias vários? Vai Agosto investir milhões em lipo-aspiração e futilidades como os BB, quando esses recursos deveriam servir para melhorar a educação alimentar preventiva, aumentar a produção de alimentos naturais e não transgénicos, bem como criar subvenção para livros? Estranha gente. Onde está a humanidade deles. O que é para eles a humanidade. Qual é para eles o fim (em si mesmo)? Por onde andam as referências éticas na política? Para onde vai a esperança olhar quando cinzento o espírito estiver e a alma recusar-se a ficar alva? Entretanto segue a gente nesta louca viagem, deixando o mundo mais indigente. Que estranho e demente está a ser o mundo corrente.

PRO PACE ET FRATERNITATE GENTIUM!…

Ao Dispor,

António Kassoma “NGUVULU MAKATUKA”

criancas-palestinas

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