A PROPÓSITO DA VIOLÊNCIA SEXUAL NO LESTE DO KONGO

 

Feminicídio no Kongo 

– Um resumo do Conselho de Segurança das Nações Unidas

NOTA: Este texto foi retirado do Espaço de Natília Correia http://nantilia.spaces.live.com/blog/cns!1DF4774719D3AF5C!3641.entry?ccr=2036#comment, onde pude deixar os meus comentário, após alerta da Alpha Leninha e do Luís Sio "Nguxi" sobre a intensidade desse drama. Poderão visitar o Espaço de Nantília Correia para tomarem contacto com outros comentários sobre o mesmo texto.

Pela importância do assunto e o interesse de Angola no caso, não pude deixar de retomar o assunto, agregando ao texto original os meus pontos de vista sobre o caso. Naturalmente, a responsabilidade pelo texto que retomo é dos seus autores, que estão identificados abaixo.

 

AUTOR:  Eve ENSLER

Traduzido por  Cristina Santos

Volto do inferno. Procuro desesperadamente uma maneira para vos contar o que vi e ouvi na República Democrática do Congo. Procuro uma maneira para vos contar as histórias e as atrocidades, e ao mesmo tempo, evitar que fiquem abatidos, chocados ou afectados mentalmente. Procuro uma maneira de vos transmitir o meu testemunho sem gritar, sem me imolar ou sem procurar uma AK 47. Não sou a primeira pessoa que denuncia as violações, as mutilações e as desfigurações das mulheres do Congo. Existem relatórios a respeito deste problema desde 2000. Não sou a primeira que conta estas histórias, mas como escritora e militante contra a violência sexual contra as mulheres, vivo no mundo da violação. Passei dez anos a ouvir as histórias de mulheres violadas, torturadas, queimadas e mutiladas na Bósnia, Kosovo, Estados Unidos, Cidade Juárez (México), Quénia, Paquistão, Haiti, Filipinas, Iraque e Afeganistão. E apesar de saber que é perigoso comparar atrocidades e sofrimentos, nada do que eu tinha ouvido até agora era tão horrível e aterrorizador como a destruição da espécie feminina no Congo.

A situação não é mais do que um feminicídio e temos que a reconhecer e analisar tal como é. É um estado de emergência. As mulheres são violadas e assassinadas a toda a hora. Os crimes contra o corpo da mulher já são horríveis por si. No entanto, há que acrescentar o seguinte: por causa de uma superstição que diz que se um homem viola mulheres muito jovens ou muito idosas obtém poderes especiais, meninas de menos de doze anos de idade e mulheres de mais de oitenta anos são vítimas de violação. Também há que acrescentar as violações das mulheres à frente dos seus maridos e filhos. Mas a maior crueldade é a seguinte: soldados seropositivos organizam comandos nas aldeias para violar as mulheres, mutilá-las… Há relatos de centenas de casos de fístulas na vagina e no recto causadas pela introdução de paus, armas ou violações colectivas. Estas mulheres já não conseguem controlar a urina ou as fezes. Depois de serem violadas as mulheres são também abandonadas pela sua família e a sua comunidade.

No entanto, o crime mais terrível é a passividade da comunidade internacional, das instituições governamentais, dos meios de comunicação… a indiferença total do mundo perante tal extermínio.

Passei duas semanas em Bukavu e Goma a entrevistar as sobreviventes. Algumas eram de Bunia. Efectuei pelo menos oito horas de entrevistas por dia. Almocei e fui a sessões de terapia com estas mulheres. Chorei com elas. O nível de atrocidades supera a imaginação. Não tinha visto em nenhuma parte este tipo de violência, de tortura sexual, de crueldade e de barbárie. No Este do Congo existe um clima de violência. Nesta zona as violações tornaram-se, tal como me disse uma sobrevivente, um “desporto nacional”. As mulheres são menos que cidadãs de segunda classe. Os animais são mais bem tratados. Parece que todas as tropas estão implicadas nas violações: as FDLR, as Interahamwe, o exercito congolês e até as forças de paz da ONU. A falta de prevenção, de protecção e a ausência de sanções são alarmantes.

Passei uma semana no Hospital de Panzi, a viver numa aldeia de mulheres violadas e torturadas. Era como uma cena de um filme de terror futurista. Ouvi histórias de mulheres que viram os seus filhos serem brutalmente e cinicamente assassinados. Mulheres que foram forçadas, debaixo da ameaça de armas, a ingerir excrementos, a beber urina ou a comer bebés mortos. Mulheres que foram testemunhas da mutilação genital dos seus maridos ou violadas durante semanas por grupos de homens. Estas mulheres faziam fila para me contar as suas histórias. Os traumas eram enormes e o sofrimento extremamente profundo. Sentei-me com mulheres que tinham sido cruelmente abandonadas pelas suas famílias, excluídas por causa do seu cheiro e pelo que tinha sofrido. Eu quero falar-vos da Noella. Mudei-lhe o nome para a proteger porque ela só tem nove anos de idade. A Noella vive dentro de mim agora, persegue-me, leva-me a tomar acções, a lembrar. Ela é magra, muito inteligente e viva. O dano está no seu corpo ligeiramente torto, envergonhado, preocupado. Ela sente a ansiedade nos seus pequenos dedos. Começa a contar a sua história como se ainda a estivesse a viver. Para ela o tempo parou. “Uma noite as Interahamwe vieram a nossa casa. Eles não deixaram nada. Pilharam a nossa casa. Levaram a minha mãe para um lado, o meu pai para outro e a mim para outro. Levaram-me para o mato. Um deles pôs qualquer coisa dentro de mim. Não sei o que foi. Um disse para o outro, não faças isso, não faças mal a uma criança. O outro bateu-me. Eu estava a sangrar. Ele bateu-me mais e eu caí. Depois abandonou-me. Passei duas semanas com os soldados. Eles violaram-me constantemente. Às vezes usavam paus. Um dia deixaram-me no mato. Tentei caminhar até à casa do meu tio. Consegui, mas estava demasiado fraca. Tinha febre. Estava muito mal. Cheguei a casa. O meu pai tinha sido morto. A minha mãe voltou, mas em muito mau estado. Comecei a perder a urina e as fezes sem controlo. Depois a minha mãe percebeu que eles me tinham violado e destruído. Eles registraram o que me tinha acontecido e trouxeram-me para aqui. Estou contente por estar aqui. Já não perco as urinas e ninguém se ri de mim. Os rapazes riem-se de mi. Já não tenho vergonha. Deus julgará aqueles homens, porque eles não sabem o que fazem. Quero restabelecer-me. Também penso em como eles mataram o meu pai. Sempre que penso no meu pai as lágrimas caiem-me pela cara abaixo.”

O Dr. Mukwege, que, tanto quanto posso dizer, é um tipo de médico “santo” no hospital, disse-me que a uretra da Noella está destruída. Sendo tão jovem, ela não tem tecido suficiente para operar. Terá de esperar oito anos. Oito anos de vergonha e humilhação. Oito anos em que será forçada a recordar todos os dias o que aqueles homens lhe fizeram na floresta antes dela ter idade suficiente para saber o que era um pénis. Ela é incontinente. O médico disse-me: “o que acontece a estas jovens é terrível. Elas têm muito medo de ser tocadas por homens. Às vezes leva semanas até eu as conseguir tratar. Dou-lhes bombons e trago-lhes bonecas.”

As mulheres sofrem imenso. Estão debilitadas pelas violações, as torturas e a brutalidade. Não têm praticamente apoio nenhum. Depois de viver estas atrocidades são incapazes de trabalhar nos campos ou de transportar coisas pesadas, por isso deixam de ter rendimento. Vi chegar pelo menos doze mulheres por dia a essa aldeia. Chegavam a coxear e apoiadas em bengalas feitas à mão. Várias mulheres contaram-me que “as florestas cheiravam a morte” e que “não se podia dar nem cinco passos sem tropeçar com um corpo”. Durante a semana que passei em Panzi, o governo cortou a água por isso o hospital, onde havia centenas de mulheres feridas, ficou sem água. O mesmo hospital pelo qual as mulheres tinham andado mais de sessenta quilómetros porque não havia outro mais perto. O mesmo hospital onde não havia nada para comer, (duas crianças morreram de má nutrição num dia), onde as mulheres tinham de ficar durante meses, às vezes anos, porque as suas aldeias eram tão perigosas ou porque eram tão rejeitadas, após terem sido violadas e desonradas, que não tinham um lugar para onde voltar, onde as mulheres não podiam apresentar queixa porque os violadores podiam facilmente comprar a sua saída da prisão, voltar e violá-las outra vez, ou matá-las.

E enquanto nós estamos aqui a escrever o nosso relatório, há mulheres que estão a ser violadas, meninas que estão a ser destroçadas para sempre, mulheres que estão a ser testemunhas do assassínio (a golpe de catana) das suas famílias e outras que estão a ser infectadas pelo o vírus da SIDA. Onde está a nossa indignação? Onde está a consciência das pessoas?

Em 1999, eu voltei aos EUA de uma viagem ao Afeganistão ainda debaixo do poder dos talibans. As condições das mulheres, a violência… era uma loucura. Dirigi-me a todas pessoas que consegui encontrar, canais de televisão, revistas, líderes, etc. Com excepção de uma revista, ninguém parecia estar interessado no problema das mulheres afegãs. Naquela altura eu sabia que se não se interviesse, se o mundo não se levantasse e ajudasse as mulheres, haveria graves consequências internacionais. Sabemos o que aconteceu depois. Não apenas o 11 de Setembro, mas a reacção ao 11 de Setembro, a profanação do Iraque, a justificação dos ataques preemptivos, o aumento da militarização e violência e o terror que ainda hoje continua a aumentar.

As mulheres são o centro de qualquer cultura e sociedade. Embora possam não ter poder ou direitos, como são tratadas, como são, ou não são, valorizadas, indica o que a sociedade sente em relação à própria vida. As mulheres do Congo são resistentes, poderosas, visionárias e solidárias. Com poucos recursos elas poderiam ser líderes do país e tirá-lo do seu actual estado de desordem, pobreza e caos; ou podem ser aniquiladas e com elas, o futuro do país. A República Democrática do Congo é o coração de África, o centro dinâmico e a promessa do futuro. Se se permitir a destruição das mulheres, mata-se a vida, não apenas do Congo, mas de todo o continente africano. Eu estou aqui, como artista e activista, mas sobre tudo estou aqui como um ser humano destroçado pelo que ouvi na República Democrática do Congo. Estou aqui para vos implorar, àqueles que têm poder, para declarar estado de emergência no Este do Congo, para dar um nome ao que está a ser feito às mulheres: feminicídio. Para se juntarem à nossa campanha internacional para parar as violações do melhor recurso do Congo e dar poder às mulheres e raparigas do Congo. Para desenvolver os mecanismos para proteger estas mulheres, para parar estes crimes horrorosos e desumanos.

Recomendações para terminar com a violência contra as mulheres e raparigas na República Democrática do Congo:

A impunidade para violência sexual tem de terminar. Apesar de centenas de milhares de mulheres e raparigas violadas, não houve praticamente nenhuma acusação. Incumbe a toda comunidade internacional fortalecer mecanismos na República Democrática do Congo para assegurar que os violadores são levados à justiça e as vítimas protegidas através de acções judiciais. (Mais mulheres juízas, assim como mais mulheres na polícia e advogadas são essenciais para que isto aconteça).

Está previsto o Conselho de Segurança ir à República Democrática do Congo na próxima semana. É importante que eles:

a) Falem com o Governo seriamente sobre o assunto da violência sexual. Devem abordar este tema com o Presidente e perguntar especificamente o que é que ele está a fazer para assegurar que os militares (que são quem mais comete estes crimes) não cometem crimes de violência sexual e que os comandantes são responsabilizados pelas acções dos seus soldados e que os soldados também são levados à justiça.

b) Ao reunir-se com o parlamento e as autoridades eleitas, o Conselho de Segurança deve insistir para que se estabeleça uma comissão parlamentária sobre a violência sexual. Deve também apelar para que sê de início a um debate público com o ministro da defesa sobre este tema.

A Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUC) deveria estabelecer uma unidade de combate contra a violência sexual, incluindo pessoal militar e civil, para dar prioridade à “resposta dada às sobreviventes de violência sexual e à protecção de mulheres e crianças, sobre tudo em Goma e Bakuvu”. Os países que contribuem com tropas também têm de ter um papel mais activo enviando mulheres como soldados da paz.

Os estados membros e as Nações Unidas devem mostrar o seu compromisso para terminar com a violência contra as mulheres da República Democrática do Congo através da atribuição de recursos financeiros significantes. Existem alguns bons projectos, por exemplo o Hospital de Panzi, mas isto é muito pouco quando consideramos as enormes necessidades e a magnitude da violência. São precisos mais recursos e podiam ser usados para apoiar, por exemplo, programas de rádio/televisão por mulheres sobre os direitos das mulheres, violência contra as mulheres, e outros temas importantes que precisam de ser abordados para romper o silêncio sobre a violência sexual.

Os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas devem pedir ao Secretário-geral que providencie um relatório sobre a situação da violência sexual na República Democrática do Congo. Este relatório deve ser recebido pelo Conselho em tempo oportuno (3 meses).

http://www.tlaxcala.es/pp.asp?reference=3924&lg=po

 

 
NÓTULA DE MAKATUKA SOBRE O ASSUNTO:
 

Trata-se realmente de uma situação quase surreal, de tanta barbaridade. Na qualidade de pai de meninas, não poderia deixar de juntar a minha voz a esta manifestação colectiva de repúdio e de apelo à intervenção urgente dos estados de bem, para auxiliar as populações da esquecida região do Leste do Kongo Kinshasa. Aliás, nem precisava ser pai. Obviamente lembro-me todos os dias de que devo a minha vida a uma mulher, que é a minha amada mãe Cecília Katombela. 

 

A verdade é que a situação no Kongo é ainda mais grave do que este texto retracta. Faz alguns anos que tenho acompanhado muito preocupado e impotente o quadro de putrefacção humana e institucional (?) que se regista naquele país, que tem tudo para ser uma promessa de contra-peso às ditas potências, como fazem hoje países como o Brasil, a China e a Índia. Para além de “dolorosamente” belo, o Kongo tem território, riquezas e população suficiente para ser um país respeitado ao nível do continente e do mundo.

 

Voltando à questão dos "feminicídios", a verdade é que nos últimos dois anos as coisas descambaram para um quadro ainda pior, em vez de ser atacada a questão das violações às mulheres e às crianças do sexo feminino. Em artigos e documentários recentes (que neste momento não estou em condições de precisar), relata-se que a violência sexual está a tornar-se um meio usual de guerra e de subjugação usado pelas diferentes forças beligerantes. Ultimamente os homens (de todas as idades) são alvos "privilegiados" desses ataques.

No entanto, as denúncias desses casos são ainda mais raras do que as denúncias dos casos de violência sexual sobre as mulheres. Para além do medo de represália (ante a impunidade geral) no caso dos homens a falta de denúncias tem igualmente a ver com razões culturais, designadamente relacionadas com a preservação da imagem e do "orgulho masculino" das vítimas. Fala-se mesmo em casos de suicídio, na sequência dos ataques sexuais, devido à dificuldade de os homens conviverem com os traumas resultantes das violações.

 

Posto isso, coloca-se a questão de saber qual a melhor maneira de ajudar a ultrapassar este problema. A principal causa deste problema decorre da falta de poder institucional do Estado, para dar resposta a esses problemas. O território da RDC é bastante extenso e grandes áreas do seu território não têm uma administração (civil) do Estado no verdadeiro sentido da palavra. Por esta razão a reunião assinalada no texto (com o Governo da RDC) não terá dado grandes resultados, uma vez que a maior parte desses actos ocorrem em áreas em que a autoridade do Estado é nula, mitigada ou desarticulada.

 

Ora, enquanto não houver autoridade (civil) do Estado Kongolês, de facto, estes problemas dificilmente conhecerão uma solução eficaz. E o estado de coisas actual na RDC é fomentado por pessoas (países e organizações) que tiram grande proveito dessa desorganização, ausência de normas (anomia) e ausência de poder (anarquia) que se faz sentir em parte consideravel desse país, com destaque para a referida região Leste. Dentre outras razões, aquela zona é rica em minerais usados em tecnologia de ponta (inclusive na exploração estacial) existindo denúncias sobre a sua exploração por empresas ocidentais, baseadas em países vizinhos, que alimentam os movimentos rebeldes que pratricam essas atrocidades.

 

A chamada comunidade internacional não se trem mostrado muito sensível a esses problemas, nem tem feito grande coisa para dar a RDC a capacidade institucional de que precisa. Por um lado, as pessoas com interesse na manutenção desta situação têm certmente corredores de influência junto da "comunidade internacional". Por outro lado, os estados com maior influência sobre as decisões desses órgãos tendem a ignorar os problemas vividos por povos que não tenham grandes afinidades com eles, principalmente quando se trata de povos africanos.

 

África não precisa de soja ou outros alimentos (muitas vezes modificados geneticamente), como fazem estas organizações. Em casos com o da RDC o que é necessário é que o poder instituido seja auxiliado a tornar-se estável, efectivo e funcional – o que também passa pela instituição de um regime democrático, ajustado às condições específicas do país em causa.

 

Angola tem vindo a ajudar a RDC, na formação das suas forças policiais, forças armadas e outras forças da autoridade do Estado, mas seria necessário que muitos mais países (com melhores condições e mais recursos) se envolvessem. Como se não bastasse, ultimante as relações entre Angola e RDC tendem a passar por momentos menos bons, com o Parlamento a RDC a mostrar forte hostilidade em relação à mão que lhes ajudou a sair do buraco… provavelmente seduzidos por promessas feitas por outros parceiros.

 

Enfim, é uma questão que deve ser vista de modo integrado. Quanto à solução, do meu ponto de vista, passa por ajudar o povo da RDC a estar em condições de controlar e governar o seu próprio território. Para além da questão humanitária retractada no texto (que é simplesmente inacreditável) como Angolano, tenho todo o interesse em que as coisas na RDC se estabilizem, sob pena de a instabilidade naquele país continuar a provocar êxodos populacionais para Angola, como todos os problemas que isso tem gerado e poderá continuar a gerar.

 

Estamos juntos nesta luta, PRO PACE ET FRATERNITATE GENTIUM

Sempre,

António Kassoma “NGUVULU MAKATUKA”

 
 
 
Esta entrada foi publicada em Notícias e política. ligação permanente.

9 respostas a A PROPÓSITO DA VIOLÊNCIA SEXUAL NO LESTE DO KONGO

  1. Luis diz:

    Boa Noite aqui de Portugal… Amigo Nvukulu… este relato enviado pela amiga Leninha até me fez "chorar". A ser verdade e acredito que sim; ONDE ESTÃO OS DIREITOS HUMANOS?! Onde para a Democracia da REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO???!!! Só se for na letra da Constituição!E o Sr. Como Angolano e vizinho desse País enorme; deve sentir muito mais do nós na Europa onde até os Sacerdotes; e muitos, estão a ser Investigados pela Policia Judiciária! Na Irlanda: passa-me o mesmo com Bispos e Sacerdotes, acusados de todo o tipo de violência sexual. Embora eu compreenda que muitos Homens foram "empurrados" pelos Pais para serem "Padres" o que lhes dava um grande estatuto na Sociedade… sem eles terem vocação alguma para o Ministério da Igreja Católica… e depois deparamos-nos com estas situações!Mas, na República democrática do Congo: Tudo ultrapassa o "intolerável"… Situações destas, nem na Idade Média eram permitidas… e ainda por cima cometidas por SOLDADOS que juraram defender a HONRA e a INTEGRIDADE dos Cidadãos!A acreditar no que a autora relatou e nem sequer ponho em dúvida porque sei das atrocidades desse País; pergunto: ONDE ESTÃO AS AUTORIDADES QUE TODOS OS PAÍSES TÊM????????????????????????????Porque o Senhor Presidente do CONGO não solicita uma força INTERNACIONAL para pôr cobro a estas atrocidades?Para terminar… só lhe quero dizer: Tenho três Netinhas; uma com 10 anos filha de meu filho já Falecido e duas do mais novo: A Bia de oito anos e a Joaninha de 6…. Não sei o que faria a "besta humana que todos nós temos no interior" se acontecesse algo parecido!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Uma boa Noite para o Amigo António Kassuma/ e/ou: Nguvulu…Do Amigo Luís Sio (Nguxi)Nota: estou sempre a aprender embora já seja meio Velho….

  2. Costa João Quinguri diz:

    È incrivel, nem consigo acreditar que esteja a acontecer no mundo em que vivemos. Em pleno seculo XXI, ainda exista pessoas que acreditam que ao relacionarem-se com idosos e crianças teram poderes expcionais, para torna-los super homens. quanto as atrocidades que se comentem na RDC, contra as mulheres e jovens já era sem tempo para o estado congoles tomar medidas concretas contra esta gente, afim de se fazer respeitar os direitos humanos consagrados na constituição deste pais. Acredito no que a autora relatou e nem sequer ponho em dúvida porque sei das atrocidades desse País; pergunto: ONDE ESTÃO AS AUTORIDADES QUE TODOS OS PAÍSES TÊM? A UA, também tem cota parte neste assunto. deveria tomar medidas com aplicação de sanções aos estados que tem forças a combater no congo e que cometam este tipo de actos. São conhecidos os senhores da guerra que têm estas forças, o que se fazem com eles, se na oeuropa até casos já passados estão a ser investigados afim de se punir os seus autores como é o cas "Casa PIA", o porque não punir este que estão ai a semear aquilo que eu considero de terror. violentado as crianças, idosas e mulheres em defesos.Boa noite Quinguri

  3. Alpha diz:

    Eis a complementação do texto-denúncia, retirado do espaço de minha amiga Nantília: http://nantilia.spaces.live.com/blog/cns!1DF4774719D3AF5C!3659.entry?sa=887051920

  4. Manela diz:

    pois… mas isto é a verdade nua e crua….. estou cansada de postar no Facebook coisas sobre as atrocidades cometidas em nome das religiões, os muçulmanos. os islâmicos, muitos países africanos…. mas parece q TODOS preferem ignorar! E, o mais grave é que neste momento eles aparecem em toda a Europa à frente de instituições ligadas ao poder… vivo na Holanda e sei do que falo!são emigrantes como eu…. e toda a extrema direita cresce dia a dia por causa destes flagelos contra-natura e repugnantes que são praticados por estas comunidades…. a geração q já nasceu na Europa, continua a seguir estes conceitos chocantes e desumanos—- até qdo as ditas pessoas de bem, vão ignorar ou "fechar os olhos2 em nome duma coisa q chamam de cultura de povos e que para mim não passam de FALTA de cultura dos mesmos???? Qdo vamos iniciar uma discussão séria sobre isto???? Eles são os imigrantes (como eu) na Europa mas não estão para se adaptar a ela …. querem mesmo DOMINAR a Europa com essas atrocidades absurdas!!!!

  5. Nguvulu diz:

    Tenho algumas dúvidas se o comentário da amiga Manuela não estará de certo modo "desviado" pelas experiências que eventualmente tenha vivido junto de certas comunidades emigrantes com as quais convive. Cultura é cultura, cada um tem o direito de defender a sua cultura e viver de acordo com ela. Este direito é obviamente extensivo aos seus descendentes. Não vamos obrigar as pessoas a viver de acordo com o nosso próprio padrão, sob pena se ser enterrado o relativismo e as especificidades culturais que fazem da humanidade uma súmula da vivência de todos os seres humanos que existira sobre a face da terra.Cultura é cultura, cada um tem a sua. Agora, dignidade humana é dignidade humana e todos os seres humanos têm direito a ser tratados e respeitados com dignidade, em toda a parte do mundo. Isso não precisa estar escrito em lado nenhum, é um direito inerente à própria pessoa humana. Não se pode, aí concordo com a amiga Manuela, adoptar comportamentos desumanos ou tratar outro ser humano de modo degradante e atentatório à sua dignidade, sob o subterfúgio de se tratar de uma prática que faz parte da "cultura". Na verdade, em muitos desses casos, as referidas práticas resultam de uma interpretação desajustada e radicalizada da cultura que invocam. Portanto, o problema não está na cultura, mas no modo como ela é (distorcidamente) interpretada por algumas pessoas, motivadas pelo radicalismo ou pela simples vontade de justificar o seu comportamento socialmente desajustado.Não podemos deixar de ter em conta que a cultura, seja ela de que povo for, é a corporização do conjunto de lições aprendidas e apreendidas por aquele povo, em resultado da sua vivência. Assim, grande parte dos valores culturais são, na verdade, voltados à promoção da solidariedade, da paz e a inter-ajuda (defensiva de afirmação) necessárias à sua própria preservação e afirmação enquanto grupo socialmente organizado.Se aceitarmos a aproximação supra, sobre um conceito operativo de cultura, facilmente podemos concluir que as práticas de violência sexual contra as mulheres e outras práticas degradantes sobre as quais estamos a reflectir não fazem (nem poderiam fazer) parte da cultura de nenhum povo. Devido ao desconhecimento da realidade africana, muita gente é tentada a associar-nos à violência. A verdade é que, de um modo geral, os povos africanos são bastante pacíficos e acolhedores. Aliás, estas características, associada à sua crença monoteística – com os ancestrais como intermediários – foram muito aproveitadas pelos ocidentais durante os movimentos de ocupação colonial, com efeitos negativos que já não faz sentido discutir. A escravatura (com o seu comércio de tráfico de seres humanos), o fomento das guerras inter-tribais e o "fabrico" de conflitos étnicos cujos efeitos continuam presentes são apenas alguns exemplos disso.

  6. Luis diz:

    Concordo consigo em muitos dos argumentos… Até quando Angola estava em "Guerra Civil", os peões de brega ou interesses Internacionais; é que se movimentavam a apoiar com armas e interesses económicos – principalmente esses – para obterem parte dos lucros e recursos desse Grande País.Cito os Estados Unidos da América e a República Popular da China e tomo a responsabilidade do que digo… li todas as transcrições do então Secretário de Estado dos E.U.A., da China é mais difícil dado o seu Regímen fechado ao exterior. Mas que foram estes dois Países a instigar "os Beligerantes", ninguém duvida Internacionalmente…Gostaria dar-lhe uma palavra sobre a Guiné-Bissau. Já viu que, enquanto Angola é um potentado Económico no Mundo; Moçambique… mais pobre, percorre os trilhos do desenvolvimento possível – em PAZ – onde todos os vários Deputados são Iguais perante a Lei, sejam da Frelimo ou da Renamo e se assumem como tal com as divergências naturais de cada ponto de vista… a Guiné-Bissau está com mais um Golpe de estado em curso… ouvi várias noticias dispersas em várias Rádios e Televisões e, a situação, ainda não é clara.Parabéns a Angola e a Moçambique por enveredarem pelo – CAMINHO DA PAZ.

  7. mary diz:

    nao chamo cultura a um acto que atenta com a vida ea integridade humana aqueles que podem ajudar a mudar a situacao nao se preocupam porque nao lhes tocou a pele sao lutas que nao daovantagens financeiras por isso nao ligam ainda bem que posso contar com a vossa ajuda para divulgar NAO A VIOLENCIA CONTRA AS MULHERES… s

  8. Maria Luisa diz:

    Um artigo interessante, o retrato da violência no seu estado mais desumano. Uma dura realidade e um relato da verdade ou, pelo menos, de uma parte da verdade sobre um conflito que se prolonga e envergonha África e os seus filhos. Actos de violência são actos de violência. Devem ser condenados e, sobretudo, evitados, independentemente de quem os pratica, hora e localização geográfica. Para lá do discurso politicamente correcto, a violência é repulsiva e ganha outros contornos em cenários de guerra como o relatado no "Femicídio no Kongo", artigo que retrata uma realidade que, seguramente, descredibilizaria a ficção. Ainda assim, não podemos perder de vista que a violência contra mulheres e crianças e cresce a um ritmo assustador em várias sociedades. Em Angola, a discussão coloca-se entre o aumento de casos do género ou a sua mediatização. Para mim, não interessa muito o debate académico ou mediático. Preocupam-me os factos. Neste momento, pessoas próximas a mim sofrem com a violência que vitimou uma menina de apenas oito anos! Violada e assassinada em casa, supostamente, por um amigo da família que já confessou o crime. Alguns amigos decidiram comemorar o feriadão da Páscoa com os amigos, muita música e álcool. O suposto criminoso foi o principal patrocinador do "amistoso". Na manhã de sábado deram com a menina ensanguentada. Morta! A barbárie enluta familiares e amigos, chocou a sociedade. Meu Deus, que tipo de pessoa viola uma criança e ainda tem a desfaçatez de dizer que “só” a matou porque ela disse que iria contar ao irmão? Certamente uma mente perversa, estimulada ou não pela acção do álcool.Desespero, angústia e dor…muito sofrimento. Impossível pensar na morte da menina sem sentir arrepios. Mais do que revoltante, é aterrorizador. Indescritível a dor daquela mãe. A violência acontece no Kongo e em Darfur, mas também aqui, bem ao lado. Embora ganhe outra dimensão quando as vítimas têm um rosto, nome, endereço, familiares, amigos e vizinhos, violência é violência. A razão não contém as lágrimas teimosas, o coração sangra, a dor dilacerante torna o discurso desconexo. Como aceitar que a menina rechonchuda que ainda ontem fazia desenhos para oferecer as pessoas próxima, brincava de médica com a boneca Analtina Bebé está numa câmara fria à espera da autópsia? Como aceitar que ela já não precisa, porque não sente, a falta do abraço protector da mãe e do irmão que amava?Sem querer, penso em Gabriel, o Pensador, neste Domingo de Páscoa. "Se Deus é justo, então quem fez o pecado?" O crime será esclarecido e o culpado cumprirá pena. Que me perdoem as associações de Direitos Humanos, cujos princípios subscrevo, mas diante da acção de violadores pedófilos e homicidas, é justo perguntar: a pena de morte é totalmente injusta e contrária aos Direitos Humanos?Entre gritos, choros e lamentações, o sorriso belíssimo que sobressai da foto que ilustra o cartaz feito para adornar o salão no dia do seu oitavo aniversário, chama a atenção dos presentes. Ao lado da foto, o Salmo 23 “O Senhor é Meu Pastor, Nada Me Faltará!”

  9. mariana diz:

    Puxa, que artigo triste,tanta violência e as mulheres são sempre as vitimas…Como estes militares (homens) que se dizem defensores da patria, têm a coragem de práticas tão baixas, podemos até pensar ou dizer que são efeitos das guerras, mas tal não justifica estas praticas contra inocentes (crianças), pois as mesmas são o futuro de uma Nação e se hoje elas são maltratadas o que será do amanhã. Creio que a tendência do mundo é caminhar para o pior,a violência tem se espalhado com tamanha rapidez, ainda que estejamos prevenidas. Por favor homens cuidem mais de nós…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s